O que é personalidade

Personalidade pode ser entendida como o modo como uma pessoa pensa, percebe suas emoções, reage aos estímulos internos ou externos, como se comporta e se relaciona com as outras pessoas; ou seja, pode-se entendê-la como o "modus operandi" de uma pessoa.

Há várias discussões na literatura sobre como a personalidade é formada. Apesar de não haver consenso, entende-se atualmente que ela é formada pelo temperamento associado ao caráter.

O que é o temperamento na personalidade

O temperamento refere-se às características psicofisiológicas inatas, ou seja, de base genética e biológica, que diferenciam um indivíduo de outro. Por isso, aquela ideia de que a pessoa é como um papel em branco ao nascer é falaciosa, pois já nascemos com uma predisposição genética na maneira como agir e reagir aos estímulos aos quais somos expostos.

O que forma o caráter da pessoa

O caráter corresponde ao conjunto de elementos da personalidade de base cultural e social, representando os aspectos da experiência psicológica do indivíduo, vivenciados desde o nascimento e que agem sobre o temperamento da pessoa (a base genética). O caráter, então, diz respeito mais aos aspectos psicológicos da personalidade.

É impossível separar o que é temperamento e o que é caráter analisando o indivíduo, porque essas duas dimensões se fundem, formando a personalidade total da pessoa. Dessa forma, o temperamento inato se integra ao caráter para formar quem o indivíduo é.

O que são traços de personalidade

Traços de personalidade são tendências e características da personalidade do indivíduo, que são estáveis ao longo do tempo, podendo ser adaptativos ou desadaptativos.

Quando esses traços de personalidade se acentuam bastante, a ponto de provocar um desvio do comportamento para além dos limites esperados na cultura da pessoa, levando a um sofrimento clinicamente significativo ou a um prejuízo funcional, podemos entender que há uma tendência a um transtorno de personalidade.

Os traços de personalidade que definem a base desses transtornos têm de ser diferenciados das características que podem ocorrer mediante a resposta a estressores esporádicos ou estados mentais mais transitórios. Por exemplo, em um episódio de humor no transtorno bipolar, em situações de ansiedade excessiva ou em intoxicação por substância, a pessoa pode apresentar mudanças no padrão da personalidade, mas que são transitórias, retornando após a volta ao estado habitual da pessoa.

O que é um transtorno de personalidade

O DSM-5 define um transtorno de personalidade quando alguns critérios são preenchidos. Em geral, esses critérios abordam a presença de um padrão de experiências internas e de comportamento que é persistente e que se desvia bastante das expectativas culturais da sociedade. Esse padrão tem que ser difuso, ou seja, presente em várias áreas da vida do indivíduo. Também precisa ser inflexível, demonstrando rigidez e pouca capacidade de adaptação às necessidades do momento.

Os transtornos da personalidade ocorrem no fim da adolescência e no início da idade adulta, levando a um sofrimento significativo da pessoa e/ou da sociedade na qual ela está inserida, bem como à possibilidade de prejuízo funcional. É preciso que esses prejuízos afetem pelo menos duas de quatro áreas da vida do indivíduo, a saber:

  • Cognição.
  • Afetividade.
  • Funcionamento interpessoal.
  • Controle de impulsos.

Nos manuais de psiquiatria que seguem o DSM-5, os transtornos de personalidade são divididos em três clusters (grupos): Grupo A, Grupo B e Grupo C.

No grupo A, encontram-se os transtornos de personalidade de pessoas observadas como desconfiadas, "esquisitas":

  • Paranoide.
  • Esquizoide.
  • Esquizotípica.

No grupo B, por sua vez, encontram-se aqueles com padrões mais dramáticos, impulsivos ou erráticos, caracterizados pelos transtornos da personalidade:

  • Borderline.
  • Histriônica.
  • Narcisista.
  • Antissocial.

Já no grupo C, caracterizado por estar presente em pessoas ansiosas ou controladas/controladoras, encontram-se os transtornos de personalidade:

  • Evitativa.
  • Dependente.
  • Obsessiva-compulsiva (ou anancástica).

Abordar cada um desses transtornos foge do escopo deste post, pois se tornaria bastante extenso, mas cada um será abordado separadamente.

Fonte:

  1. Compêndio de Psiquiatria - Kaplan & Sadock, 11ª edição.
  2. Psicopatologia - Dalgalarrondo, 3ª edição, 2018.
  3. A entrevista psiquiátrica na prática clínica, 3ª edição.